Cats
Uma das coisas mais divertidas do Paquistão são os gatos. Não, não falo dos felinos. Mas das gambiarras elétricas e telefônicas. Pensem nos emaranhados de fios nas favelas do Rio de Janeiro. Multipliquem por 3. Pronto? Pois é, assim é a rede elétrica nos bairros mais abastados. E sim, os bairros abastados possuem mansões que são verdadeiros palácios.
Agora, imaginem a periferia. Pois é. Quando há eletricidade é bem pior. Quando há. Porque boa parte de Peshawar é composta de refugiados afegãos que vivem na pior miséria imaginável. Um Vale do Jequitinhonha que fala pashto em plena cidade grande.
Banheiros
Como diz uma menina da comunidade "Mulheres que Viajam Sozinhas" no Orkut, "ah esta é a única hora que eu gostaria de ter um pênis". Sim. Os banheiros árabes. Famosos pelos buracos de porcelana no chão com um baldinho de água e più niente. Mas nos aeroportos e grandes hotéis há vasos de porcelana a la western.
Mas não nas estações de gasolina. Argh! Perdi um vôo para Lahore e fui de ônibus (não, não fui no teto daquelas coisas coloridas, fui num Daewoo bem confortável) pra capital do cinema paquistanês. Fiz xixi duas vezes antes de sair de Peshawar, mas, como sou extremamente neurótica, fiquei apertada no começo da viagem. Depois de várias horas de pernas cruzadas, reza forte e uma estrada curvilínea que serpenteava por montanhas enooormes, chegamos a uma espécie de "Graal" paquistanês. Muito bom, moderno e limpo. Mas, adivinhem... Nada de privada ocidental. Aliás, não vi um estrangeiro por ali.
Minha primeira experiência com este tipo antipático de vaso sanitário foi em Istambul. Foi uma operação especial de equilíbrio e muitos lencinhos umedecidos (ah, Deus abençoe a linha de lencinhos umedecidos da Evian). Horrível. Lógico que se analisarmos, este método é beeem mais higiênico do que o ocidental. Mas, poxa, não espero quebrar choques culturais num reservado de banheiro!
Home away from Rome
Bem. Na minha suíte fófis em University Town (que, apesar do nome, não é bairro de estudante, mas de gente poderosa na cidade) o banheiro era igual ao meu no Brasil. Mas, lógico, não havia papel higiênico.
Choque cultural número 1: Como pedir um rolo de papel pro anfitrião sem soar como uma européia esnobe que não vai, de jeito nenhum, utilizar o baldinho?
Jeitinho brasileiro: Nada como um olhar de gato de botas (sim, o do Shrek 2) e uma vozinha chorosa. "Sweetie, I know it may sound a bit awkward and slightly rude but..." e não precisei terminar. Meu anfitrião sorriu e me entregou um rolo de papel higiênico. "Sorry, I forgot to leave it on your bathroom but, hey, just bought it on your fav colour".
Sim. Papel rosa. Pensei no Primavera, no Tico Tico (ahem, isso é velho). Quase chorei. Lembrei dos lencinhos para remover maquiagem. Hm. Melhor seria manter a calma. Mas, quando abri o pacote, eis minha surpresa: super macio e com cheirinho de flores. Oh, sweet!
...
Bem, a partir daí deixei qualquer comparação de lado. Visitar o Paquistão é visitar um universo completamente diferente. Quando saí de Milão, deveria ter deixado para trás qualquer souvenir de ordem européia. O país de Imran Khan é desorganizado, burocrático e muitas vezes caótico. Mas é especial em cada detalhe, cada pessoa, cada paisagem. Não há tédio, não há monocromia. Depois de tanto tempo esquecida no velho continente, voltei a sentir a energia e vibração de um país fascinante de excessos e exageros.
Meu próximo destino será o Casaquistão. Adivinhem onde será a escala. :)
Escrito por Kari às 09h53
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